ATENAS

A Grécia é um dos países mais afetados pela crise económica na Europa. De acordo com a OKANA (a agência para o tratamento de dependências, dirigida pelo Estado), o consumo de drogas injetáveis aumentou substancialmente, como consequência da instabilidade entre os cidadãos mais jovens. As últimas estimativas apontam para 25 mil utilizadores de "drogas de rua", a maioria habitando em Atenas. Porém, a Greek Drug Users Union refere que, apenas em Atenas, existem 30 mil ou mais - indivíduos que nunca entraram em contacto com os serviços oficiais e cuja existência não consta nos registos. Durante algum tempo, os decisores políticos julgavam conseguir eliminar os problemas associados ao consumo de drogas através de intervenções policiais e detenções, enquanto o acesso a tratamento e a material esterilizado permanecia um dos mais baixos da Europa Ocidental. Como resultado, os utilizadores de drogas trocavam seringas entre si, aumentando assim as infeções por Hepatite C e VIH. Entre 2006 e 2011, ocorreram 9 casos de infeção por VIH entre utilizadores de drogas, mas só em 2011, foram registados 256 novos casos!

Quando a epidemia de VIH atingiu o país, tornou-se cada vez mais urgente a necessidade de mudar o tipo de abordagem: o Governo investiu mais fundos em intervenções básicas de redução de riscos (trabalho em terreno, testes de deteção rápida e ligação com unidades de doenças infeciosas em hospitais), pois para travar essa epidemia, seriam necessárias estratégias mais eficazes. Foram distribuídas mais seringas esterilizadas e o número de pessoas a procurar tratamento aumentou; ainda assim, não existiam respostas eficazes em termos de abrigo para utilizadores de drogas sem-abrigo e o tempo de espera para ser aceite em terapias de substituição não diminuiu. Os serviços de redução de riscos também iriam ser reforçados, com o envolvimento de vários utilizadores de drogas em Terapias de Substituição Opiácea, que se ofereceram para trabalhar em regime de voluntariado. No entanto, esses serviços foram rejeitados. Durante este período conturbado, não foi o Governo que lutou por esta causa, mas sim a sociedade civil, ao pressionar os principais intervenientes e ao criar iniciativas para informar as pessoas, comprometendo-se a lutar por um mundo mais humano e saudável.
Photo: Ben art core

Em 2013, a OKANA inaugurou a primeira sala de consumo assistido em Atenas, onde mensalmente centenas de utilizadores de drogas consumiram substâncias num ambiente seguro, em vez de o fazerem em público. A epidemia está agora controlada, mas ainda há muito para fazer. Infelizmente, esta sala foi fechada devido a questões legais e as pessoas continuam a esperar anos para terem acesso a tratamento. As organizações da sociedade civil lutam a favor da prevenção, tratamento e redução de riscos, para combater o estigma, a exclusão, a criminalização e a penalização!

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