O consumo de "drogas de rua" é um problema
que afeta cada vez mais as nossas cidades

A partilha de material entre utilizadores de drogas pode levar a infeções, como a Hepatite C e o VIH. As seringas deixadas no chão não são bem vistas pelos habitantes de determinadas zonas. A solução não passa pela intervenção das forças policiais e a detenção dos utilizadores de drogas não reduz o consumo. Na verdade, pode levar as pessoas a consumos mais perigosos e a pensar que se devem ver livres das seringas o mais depressa possível. Os métodos antigos de combate às drogas já não são eficazes. Esta é uma campanha para se encontrarem novas soluções e promover uma mudança.

Ao criar locais supervisionados onde os utilizadores de drogas podem consumir e ter acesso a material esterilizado, podemos reduzir o risco de overdose e infeções, bem como a acumulação de lixo e resíduos nas nossas ruas! A campanha "Room for Change" visa promover soluções pragmáticas para a questão das drogas - mais abaixo, poderá encontrar informação sobre os vários problemas e as suas soluções, que provaram ser eficazes em muitas cidades! Se considera que a penalização não é a melhor opção, por favor assine a nossa petição!

Locais de consumo a céu aberto Os consumidores de drogas vivem à margem da sociedade: não têm emprego, casa ou família. Passam grande parte das suas vidas na rua, à procura de drogas que tendem a consumir em ruas menos frequentadas ou junto à entrada dos edifícios, em condições anti-higiénicas. Isto causa alguns problemas nas comunidades. Partilham seringas entre si e acabam por deixá-las no local, para evitarem detenções policiais.

Infeções Uma em cada três infeções por VIH em países não pertencentes a África Subsariana está associada à partilha de material de consumo de drogas injetáveis. Outro vírus menos conhecido, o da Hepatite C, é ainda mais perigoso e transmite-se entre os consumidores de drogas mais depressa do que em outros grupos. O tratamento das doenças causadas pelos vírus é mais dispendioso do que a sua prevenção - apoiada pela distribuição de material esterilizado e a criação de locais de consumo.Photo: Ben art core

Novos surtos de VIH na Europa Durante vários anos, o número de infeções por VIH entre utilizadores de drogas de vários países Europeus manteve-se baixo. Esta situação está a mudar, devido à crise financeira que atinge a Europa. Os serviços sociais e de saúde públicos são algumas das primeiras vítimas das medidas de austeridade. Cidades como Atenas, Bucareste e Sófia registaram surtos de infeção por VIH entre consumidores de drogas. Sabemos, através de vários exemplos, que as epidemias não se restringem a este grupo e que podem facilmente afetar a população em geral através de relações sexuais desprotegidas.

"Legal highs" Em 2009, registou-se um aumento sem precedentes no que diz respeito às drogas sintéticas na Europa. Estas drogas, normalmente designadas como "legal highs" pelos meios de comunicação, não são consideradas drogas ilícitas, apesar de copiarem os efeitos dessas mesmas substâncias. Em algumas cidades, como Budapeste e Bucareste, milhares de consumidores de drogas começaram a injetar estas substâncias. Ao passo que a heroína é injetada três a quatro vezes por dia, estas drogas são injetadas dez a quinze vezes, aumentado assim o risco de infeções.

Resíduos Agulhas e seringas usadas, bem como copos e outros materiais, fazem já parte do quotidiano das zonas das cidades onde há um elevado número de utilizadores de drogas. Apesar de não existirem relatos de incidentes e nenhum membro da população em geral ter contraído uma doença devido a seringas usadas, este problema gera medo, raiva, repugnância e frustração entre a população.

Penalização não é solução

Aumentar o número de agentes a patrulhar as ruas e prender utilizadores de drogas não contribui para a diminuição do consumo ou dos resíduos. Na verdade, o medo da polícia leva os utilizadores de drogas a verem-se livres das seringas o mais depressa possível. Existem dados que referem que restringir o acesso a material esterilizado não irá diminuir o número de pessoas a consumir na rua, mas sim aumentar a partilha de seringas e consequentes infeções. Prisões sobrelotadas podem ser um foco de consumo de drogas injetáveis e infeções.

Os quatro pilares para a redução
dos problemas associados a drogas

Prevenção é necessário apostar numa abordagem educacional baseada em dados científicos nas escolas, em locais de diversão noturna e no seio das famílias; será especialmente desenhada para quem nunca consumiu drogas ou para quem deseja experimentar!

Redução de riscos os consumidores de drogas ativos devem ter acesso a material esterilizado e locais seguros onde consumir, sem perturbar os outros, contrair infeções ou morrer de overdose. Estes programas devem ser a primeira etapa para outros serviços!

Tratamento é necessário apostar em sessões de aconselhamento, programas de desintoxicação, comunidades terapêuticas e programas de reintegração social, para beneficiar aqueles que consomem drogas e desejam parar.

Aplicação da lei de modo a proteger as comunidades, as forças policiais devem manter os locais públicos seguros, encaminhando os consumidores de drogas para salas de consumo assistido.

Esta é a abordagem baseada nos quatro pilares. Cada cidade deve criar as suas estratégias de droga, baseadas nestes quatro elementos. Devem também nomear coordenadores e atribuir fundos para implementar tais estratégias. As cidades que introduzirem esta abordagem poderão, de forma eficaz, diminuir o consumo de "drogas de rua" e respetivos problemas. Algumas cidades Suíças foram as primeiras a testar esta abordagem e a primeira sala de consumo assistido foi introduzida em 1986. Várias outras cidades da Holanda, Alemanha, Espanha, Austrália, Canadá, Dinamarca, Luxemburgo e Noruega seguiram o seu exemplo. Uma sala de consumo assistido foi inaugurada em Atenas em 2013 e prevê-se que as próximas sejam criadas em Paris e Lisboa. De momento, há mais de 90 salas de consumo assistido a funcionar nestes países. Já serviram para salvar inúmeras vidas e diminuir o consumo de drogas e ainda não houve nenhuma morte nestas instalações.

Há cada vez mais cidades a perceber que a penalização dos consumidores de drogas apenas alimenta mais problemas. Mas se criarmos locais seguros e limpos, supervisionados por pessoal de serviço médico e social, podemos reduzir o número de overdoses, o consumo de drogas em locais públicos e respetivas consequências e as infeções. Outra vantagem das salas de consumo assistido é permitirem o acesso a tratamento por parte das pessoas com dependências!

Salas de consumo assistido

As salas de consumo assistido não são um preciosismo - são um investimento que irá beneficiar toda a sociedade e não apenas os utilizadores de drogas! Nas cidades em que as salas de consumo assistido foram introduzidas

Open drug use has been reduced

Drug users no longer use drugs in dark alleys and parks, but in supervised rooms;

O número de infeções diminuiu

Os utilizadores de drogas utilizam material esterilizado e não partilham seringas;

Há mais utilizadores de drogas a serem tratados

As pessoas dependentes estão mais motivadas e conseguem ter acesso a programas de tratamento. Há cada vez mais pessoas a deixar de consumir drogas;

Há menos resíduos

O material usado é depositado de forma segura em salas de consumo assistido e nenhuma seringa usada chega às ruas;

O número de mortes por overdose diminuiu

Na eventualidade de alguém ser vítima de uma overdose nas salas de consumo assistido, os profissionais de saúde intervêm imediatamente.

Mapa das cidades

De momento, a campanha conta com organizações da sociedade civil de oito cidades: Atenas, Belgrado, Bratislava, Bucareste, Budapeste, Lisboa, Sófia e Varsóvia. Clique na cidade assinalada no mapa, para obter mais informação sobre os problemas locais e as suas soluções!

Petição

Se apoia a nossa campanha para tornar as nossas cidades mais seguras, por favor assine a nossa petição!